Décimas

Indo eu por aí adiante

Ai jesus que alarido
Mas que coisa complicada
Tudo verga sem juízo
À palavra adulterada

Indo eu por aí adiante
Encontrei um mafarrico
Um piolho pegadiço
Que se acercou num repente
Ainda fiquei indiferente
Desviei a atenção
Mas o grande fanfarrão
Acercou-se de esguelha
Arquei a sobrancelha
Ai jesus que alarido

Começou a confusão
E logo ali sem mais nada
Choveram numa assentada
Palavras sem construção
E lá fui de empurrão
Falando a céu aberto
Tudo o que nasce encoberto
Tarde ou cedo vem a lume
Parece acendalha em estrume
Mas que coisa complicada

E assim numa assentada
O falatório ganhou asas
Tal  cascata de brasas
Que atiça a lareira
Eu digo tu dirás
Um em frente outro atrás
Conversa puxa conversa
Já ninguém se entendia
Dei por mim já era dia
Tudo verga sem juízo

Um final acabrunhado
Em alarido o manjerico
Eu por aqui me fico
Diga lá o que disser
Para a palavra amolecer
Esta não será moldada
Muito menos amortalhada
Apenas por bem parecer
Nada pode enaltecer
A palavra adulterada

Ser poeta é utopia...

Não sei, nem sequer sei a cor dos dias frios!   Se o céu é azul ou cinzento afogueado.    Nada sei de  efémeras  fantasias.  Delírio...